13 de janeiro de 2016



A letargia que me invade
quando o ego me conduz
reflete a luz que compõe
meu quarto abafado.
Amarrado, esse ego,
ao que lhe foi emprestado
sob a condição de ser livre.
Arrasado, esse racional
que cansou de organizar emoções
como castelo de cartas na praia.
Assim, amar me parece dor
quando antes há o desejo infantil
de tudo ter em exclusividade.
A felicidade não se apaixona.
Ela paira nas ações daqueles
que abdicaram do corpo
para amar a todos
e não ter ninguém.
.

11 de janeiro de 2016



No escuro do meu dormente apoetar fajuto
urge, quente e sujo, um desejo de ver o amor versado
pois pouco digo em dois ou três verbos mornos de afeto
quando me afeta o peito cada sorriso claro que você me dá.
Seu sono calmo me acalma os medos
e martela meus desejos na parede do meu quarto, que é seu
E adormeço sem sentir sentido
quando não tenho abrigo desse seu colo quente
Quase decente minha lembrança úmida
da sua presença fúlgura nos meus dias miúdos
E adormeço consolada na esperança
de que sua volta será anterior ao ápice da minha ânsia
Mas te anseio de longe, de perto
e de certo só me completa a alma quando me conecta o corpo
esse seu corpo lindo que é lido no meu tato
nesse meu quarto, que é seu.
.
 

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