22 de fevereiro de 2015


Amar implica em qualquer coisa solta
que se prenda em teias ou em cabelos.
Se engana, no entanto, quem jura ser o amar
um sinônimo de poesia.
Cá estou, em não-amor, imóvel
como uma teia presa no coqueiro
- e de cabelos curtos...
Cá estou, aguardando que qualquer coisa solta
se prenda em mim.

Poesia é, pois, sinônimo de desamor.
Todo verso verte dor em qualquer que seja o tom,
que pode ser de saudosismo ou de visceração;
mas de felicidade não.

Quem ama não tem tempo pra fazer poesia.
.

2 de fevereiro de 2015


O conhecer não conhece a pressa.
As euforias das horas são presas fáceis
para as falhas que se fazem falas;
fazem filas à porta do breu,
sobem, ígneas, o véu do ego.
O conhecer é das marés de Iansã
que molham os leitos sem amanhãs,
tardes e manhãs,
regando os ciclos e os pés.
O conhecer é cardial
e qualquer método que se grite
abafa os sussurros do universo.
.
 

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