3 de janeiro de 2013


Meus provérbios repudiam sadismos gramaticais.

Há quem diga que houve um tempo
em que o verbo Haver ainda não havia sido
enaltecido à excelência da inflexibilidade.
Eu havia aprendido de ouvido
que os verbos, os pronomes
e os adjetivos
se dobram todos ao mesmo número.
Nesse dia, em estupefação genuína,
minha existência titubeou:
não há hão que me faça a honra,
pois os haveres nem sempre hão de pluralizar.
Minha existência ainda
ancorou-se em si,
pois o que tenho de ruim no irregular,
regulo de matemática:
verbalizo o existir
em todos os haveres
pois a poesia dita
em todos os seus deveres
que para se fazer entender
basta ter a lógica dos ouvidos das crianças.

A sabedoria das simplicidades
ainda há de encontrar uma planície
onde haverão flexões de meninices
na qual um dia cabeu minha matemática verbal.
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