21 de julho de 2012


Multicolorivibrante
e triangulabundante;
poesia bicicletante:
veículo da ascendência branca
que o leite morno da negra quente coloriu.
Sê pomba e trompa de música espectral
na batuta-pincel de Ilelê Homem
- nome cardial de Nelson Menino
que, sem tino,
atinou para a função concreta das árvores.
Essas, se cultivadas em tela
e regadas a óleos azuis
frutificam-se em olhos marejados.
Emoções autorais contadas em quadros;
versos calados pintados a luz.



(Puxando a sardinha: poesia presenteada ao pintor Nelson Magalhães em 24 de fevereiro de 2012 e posteriormente emoldurada e exibida em sua exposição "Poesia Bicicletante". O quadro acima é de quando ele ainda era "iniciante": óleo sobre tela, 30 x 20 cm. Ganhei de presente como agradecimento pela poesia.)

1 de julho de 2012


Dádivas cardiais
se em concórdia com o fim
e não terem fim
têm, ainda assim, seu preço;
não em espécie,
mas numa espécie de sacrifício.
Contam os veteranos
que amar descarrilha os ofícios
e costura os ócios.
É que fazê-lo demanda zêlo
e certo tempo
- toda a eternidade -,
e nada mais se executa, pois, com destreza
se não for em sua função.
A felicidade me cobrou seu preço,
que paguei de bom grado com o que tinha
de mais valioso até então.
Perdoa, meu bem, a minha falta de sonetos...
Depois que aprendi a amar,
desaprendi a fazer poesia.
.
 

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