4 de junho de 2012


Alguma coisa roubou minha poesia.
Profetizou Otávio Filho
nas conversas etérias dos meios de 2010
que não se pode ser poeta
e ser feliz ao mesmo tempo.
Em semiconcordância,
eu fabricava cerca de dez poesias por mês
quando não, sob encomenda,
roteirizava mentiras de academias.
De aprazimento melancólico
me alimentei por anos a fio
pra complementar
meu ovolactovegetarianismo.
Deixei de beber vinhos,
passei a fumar cadernos,
tinha tinta de caneta nos lábios e nos dedos,
fazia sexo com Augusto dos Anjos regularmente.
Então um Anjo outro me arrebatou
e sobre cuja clara tez me fez poetizar.
Não sei se esgotou ou transbordou,
mas versar agora parece descontexto...
Encontrei tal poetisa, que, de tão musa
me faz conter no peito toda a rima
que era de competência das mãos.
Amor, você roubou minha poesia...
Agora só sei escrever sorrisos.
.

1 bedelhos:

Brisa disse...

Vem cá, que eu guardei um sorriso bobo pra você escrever.

 

Copyright 2010 Verbo Intransigente.

Theme by WordpressCenter.com.
Blogger Template by Beta Templates.