16 de junho de 2012


Cadê a revolta que cala as horas
e me conta as gotas?
Cadê o suor que camufla a lágrima
sob o mesmo sal pingado na camisa?
Gatos pingados
sem camisas-de-força...
Leite pingado no café forte
dos que vestem a camisa
e amarram-na por si só.
Se só o pó finda a dor,
quero seguir urrando.
Acertar é cura a conta-gotas;
quero seguir errando.
Cadê o sentido que jazia nas grafites
e que outrora desvirginava os papéis?
De gota em gota o pó vira barro,
vira costela, sopro e gato,
e por fim vira pântano.
Então quero seguir secando.

No fim, dá tudo no mesmo.
Quem seca, volta ao pó,
quem pinga, volta ao barro,
e quem se revolta, volta a jazer em grafites.
Mas quero seguir tentando.
.

4 de junho de 2012


Alguma coisa roubou minha poesia.
Profetizou Otávio Filho
nas conversas etérias dos meios de 2010
que não se pode ser poeta
e ser feliz ao mesmo tempo.
Em semiconcordância,
eu fabricava cerca de dez poesias por mês
quando não, sob encomenda,
roteirizava mentiras de academias.
De aprazimento melancólico
me alimentei por anos a fio
pra complementar
meu ovolactovegetarianismo.
Deixei de beber vinhos,
passei a fumar cadernos,
tinha tinta de caneta nos lábios e nos dedos,
fazia sexo com Augusto dos Anjos regularmente.
Então um Anjo outro me arrebatou
e sobre cuja clara tez me fez poetizar.
Não sei se esgotou ou transbordou,
mas versar agora parece descontexto...
Encontrei tal poetisa, que, de tão musa
me faz conter no peito toda a rima
que era de competência das mãos.
Amor, você roubou minha poesia...
Agora só sei escrever sorrisos.
.
 

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