27 de maio de 2012


Anjo de carne
que desce à Terra
e assim é amado,
estaria então, pois,
profanando os livros
ou validando o sagrado?

Anjo de carne
cuja etern'alma
fez mortal e serena...
me envolve em tua asa
olorosa e tão alva,
que sou tua pequena.
.

19 de maio de 2012


Eu vejo poesia onde não há.
Passei a inventá-la, talvez,
depois que o verbo do sagrado secreto
sacrificou seu ego
e fez elo em mim.
Há quem diga que não é certo
mas de certo há certa desimportância
no julgamento de quem, incerto,
só disserta o que não há.
Há quem diga que não há tempo
assim como não há verbo
que contemple o que o verso
faz valer e faz pulsar.
Há um medo ainda, pois,
de que o dogma dos que são dois
não se valha aos que são vis;
acredito ainda, sim,
que o que está por vir
já esteve sempre ali.

Eu vejo poesia onde há:
em todo lugar.
.

4 de maio de 2012


A tundra eminente do olho da alma
anuncia a penumbra do olho biônico
que, icônico, vislumbra o olho profundo.
Nem toda a dor do mundo
ilustra a escuridão que me aguarda...
Lá, onde o corpo se descarta,
corre a dúvida mais cruel da humanidade:
será quente o tato plástico do doutor
ou será fria a sonda fina da verdade?


Brincadeira em homenagem ao Novembro Azul.
.
 

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