14 de janeiro de 2012


Ah, não, eu não poderia.
Afirmar não me é de competência.
Compete a mim não competir
com que tem ouvidos turvos.
Os meus também o são;
diagnóstico tardio de obstrução egóica.
Tampouco me cabe negar.
Não só pelo respeito ao que não alcanço
mas para não me privar da possibilidade da dúvida.
Meu ascender é inquietação mútua,
que, gestada na sede, é água barrenta.
Água pura não alimenta nossa loucura, caro amigo.
Quero essa sujeira mineral,
que seu asco despreza
que meu gesto represa
que nossa união multiplica.
Matemos a sede um do outro
para que tenhamos mais sede ainda;
a água não acabará.
Se ela é barrenta,
é porque brota do próprio seio da terra,
é porque tem para todos nós.

Grata a Rita, Marcelo e demais amigos semi-ébrios
pelo vinho a Baco, pelo barro a Oxóssi
e pela água compartilhada
sem destilar.
.

3 bedelhos:

Mel disse...

Tem muita gente posando de filtro de barro. E tem quem diga que achou as fontes. A mim, só cabe a consciência de não dizer "desta àgua não beberei"... pq já me vejo sedenta de dúvida.

Haísa Lima disse...

Ritinha, olhos de gato. Miau!

Rita Loureiro disse...

MIAUU nhaaa linda *-*

 

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