21 de novembro de 2011


Fujo deliberadamente de qualquer cura.
Adoeço por uma subconsciência fatídica:
só o lúgubre me completa,
pois é na lágrima convulsa e sórdida
que a arte se faz fértil e me floresce
(veja, são necessárias folhas mortas
para se suspenderem os jardins).
Me brotam insapiências de relevância duvidosa
a fim de preencher um tal vazio;
é que a felicidade é tão leve e pura
que não me ocupa as cavidades....
Se sou luz, sou raridade, inconsistência.
Se sou imundo, sou terra negra, sou fecundo.
Em dor de parto, me grito em verso:
- não se pode ser poeta e ser feliz ao mesmo tempo!
.

4 bedelhos:

Rita Loureiro disse...

achei a poesia linda, mas eu não consigo gritar que não é possivel ser poeta e feliz ao mesmo tempo, minha realidade consiste justamente disso: alegria e poesia em um só, nessa celebração, mas ainda que triste, ao menos poesia, nisso, certamente.
:*

(amei o imundo fecundo)

Haísa Lima disse...

Creio que varie de acordo com a natureza de cada um... Sou dessas que se aprazem com a melancolia. Vai entender! ^^'

jhones passagem disse...

Sei como é... é uma eterna ambivalência que não cabe no peito..

Brisa disse...

É preciso ser um miserável para falar poeticamente sobre coisas banais, como um pássaro no céu, cachos bonitos no cabelo de uma moça ou as estrelas que somem na madrugada. Por isso poetas são infelizes, para valorizar as pequenas coisas.

 

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