30 de novembro de 2011


Causo sono às minhas chagas
pois chego a cegar de tantas causas
me pinto em tino de ébrias coisas
me pranto em pano de leves roupas
e levo em poucas, mas boas palavras
a causa maior da minha sina:
sintetizar o sumo do que me consome
ou morrer de fome por não me caber.
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21 de novembro de 2011


Fujo deliberadamente de qualquer cura.
Adoeço por uma subconsciência fatídica:
só o lúgubre me completa,
pois é na lágrima convulsa e sórdida
que a arte se faz fértil e me floresce
(veja, são necessárias folhas mortas
para se suspenderem os jardins).
Me brotam insapiências de relevância duvidosa
a fim de preencher um tal vazio;
é que a felicidade é tão leve e pura
que não me ocupa as cavidades....
Se sou luz, sou raridade, inconsistência.
Se sou imundo, sou terra negra, sou fecundo.
Em dor de parto, me grito em verso:
- não se pode ser poeta e ser feliz ao mesmo tempo!
.

5 de novembro de 2011


Se o sagrado peregrino faz lição da puta santa,
o desagrado hominídeo faz canção às santas putas
- tantas putas enfiadas pelas brechas dos conceitos
que santificaram os porcos nomes
e vieram ao nosso reino dos réus
rechear o pão com a ofensa nossa de cada dia.
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