21 de outubro de 2011


Morreu mais um tirano.
Comemoram os brancos, mulatos, azuis e vermelhos
sob as estrelas do céu ocidental.
Morreu mais um humano.
E as crianças cantam e dançam nas ruas
agitando bandeiras escarlates
que cheiram a hemácias putrefeitas.

De facas e armas nas mãos
o algoz é carregado como herói...
Lágrima rubra lava a terra
- leva todos consigo.
.

18 de outubro de 2011


Nada contra as sapiências das instituições,
mas as minhas intuições me instituíram um legado:
o de subverter o improvável em lei cardiocósmica
e contrapartir-me em mil pedaços de descertezas universais.
Eu tenho fé em qualquer coisa que não exista.
.

15 de outubro de 2011


É da classe dos implácidos
essa coisa de paixões...
resignificaram o verbo sagrado
num estado passageiro de não-coisa
que nunca passa das carnes.
Haverão anjos-da-guarda nos céus
que se importem com os sentidos dos pés?
Haverão anjos desguardados na terra
que não se importem com os sentidos das mãos?
Hei de aprender a tatear com os olhos
aquilo que as unhas não maculam.
Minha transgressão não é contra a intransigência dos verbos,
mas contra a inconsciência dos elos.
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4 de outubro de 2011


Eis que rompe-se uma cumulus,
e as gotículas de bênçãos a me queimar a pele.
Eu clamaria pelo frescor comum ao líquido
se a mim coubesse algum clamor;
mas é exatamente o meu calar
que me causa chaga sob a chuva.

Só não venha me configurar o título de fria
se lhe enchem a boca as metáforas juízas...
minha putrefação é muito mais anímica
que os seus calores ébrios.
.
 

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