24 de agosto de 2011


Dizem que tudo na vida tem cura, exceto a morte.
Discordo.
Acho que nada na vida tem cura, exceto a própria vida.
Termina-se esta, vão-se todos os males com ela.
"Panacéia", é o sobrenome da morte.
Mas, ainda assim, esse tal de viver parece gripe:
cura-se aqui, volta adiante;
morre-se hoje, há de renascer amanhã...
É uma maldição dos infernos.
Então, já que nada, nem mesmo a vida, nem mesmo a morte, tem cura,
escarro na loucura que me é familiar.

Sim, hoje estou Dos Anjos.
Fantasio o dia em que me curarei da prosa;
se é pra morrer, que seja de mal de verso.
.

6 bedelhos:

Mel Andrade disse...

Engraçado que vc COSPE NO PRATO DA PROSA mas esse seu poema tá todo prosa. Tipo, sério, rs.

Mel Andrade disse...

Há tantos remédios para poesia como tem pra resfriado? I hope not. Se alguém me vier com essa vacina corro pra vc e a gente faz uma revolta, manola.

Iana Carolina disse...

A cura não tem cura.

Ellen Joyce disse...

"Fantasio o dia em que me curarei da prosa;
se é pra morrer, que seja de mal de verso."

Absolutamente.

jhones passagem disse...

"Se é pra morrer, que seja de mal de verso." Muito bom!

Brisa disse...

Goste de como você termina sempre com um "gran finale".

 

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