22 de junho de 2011


Minha poesia enrustida
não mede
nem rima
e está contida naquilo
em cuja forma não cabe verbo,
tem a cor suja do interno
que faz eco sem versar.
Minha poesia enrustida
não me toca a ponta da dedos
nem a ponta da língua;
só a recito com os olhos
distraidamente
nos momentos de franqueza
e de fraqueza.
Minha poesia enrustida
não se prosa nem se prende
pois presa na letra ela não rende
nem um terço do que tece
solta dentro de mim.
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21 de junho de 2011


Vivo da incompreensão
de obvialidades que, por hora, me literam.
São as margens secas de um rio
cuja extensão não se mensura...
se é que é rio;
se é que corre.
(Dizem os populares que viver é rio,
é fluir na incerteza de uma indubitável constante).

Tem dia, então, que a razão me sugere
que o tal amor que ensaiamos em euforias
de pares súbitos e finitos
não toca o amor celeste que suspeito;
tem dia, pois, que o amor celeste me sussurra
que o amor finito que me toca todo dia
é o ensaio perfeito
daquilo que ainda apenas não sei o quê.

Ah, como é difícil essa charada do que sinto
que seja o jeito certo de sentir...
Ah, mas como é difícil
- e como é maravilhoso -
esse terno desconforto do eterno não saber.
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16 de junho de 2011


Cometo erros de português e chamo de neologismo;

é que a minha ignorância
tem licença poética.
.

11 de junho de 2011


Me contradigo, e é quase o tempo todo...
e é quase sem querer: sou gente;
e é quase de propósito: sou poeta.
.

9 de junho de 2011


Se fosse só problema gramatical
não tinha problema algum.
Não faz mal confundir "c" com "ss";
pro ouvido, então, nem faz diferença.
O problema está em se valer da confusão
pra se deitar na conveniência dos sentidos.
O problema é confundir
pacificidade
com passividade
e achar que está tudo em paz.
.
 

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