31 de maio de 2011


Em passo de amor - em tese - sou renúncia
ao passo em que a dor - faz parte - gratifica.
Mas confesso, sinto e peso em fracasso
pondero e passo, deixo de lado o lado que eleva;
é que a teoria do sofrimento, em estudo, revela
que o tal do amor, em tese, na tese fica.
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30 de maio de 2011


Que Deus me deu esse fardo
do apego
e mandou exercitar ao contrário.
Aí que minha missão é sofrer;
e o prêmio final
é aprender a gostar
do nada-ter.
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26 de maio de 2011


Para ver crescer e amadurecer a poesia
é necessário deixar de tentar ser gente grande.
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22 de maio de 2011


Opa! Vesti a camisa pelo avesso.
Mas eu também tava ao contrário...
É que é normal de quem faz verso
fazer o inverso do ordinário.
Então, no fim das contas, ficou tudo certo.
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21 de maio de 2011


Se for o caso (vai que acaba mesmo)
registro aqui minhas últimas palavras:
Nesse amontoado esférico de imundices
uma coisinha valeu a pena:
essa delicada flor que nasceu no meio do lixo, a poesia.
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18 de maio de 2011


Sou, em parte, o não partir (daqui)
parto-me, então, sem mais, ao meio (ou mais);
o que ficou a partir de então (e sempre)
foi essa tal depressão pró-parto (e só).

Aparta-me do que está à parte. Depressa.
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14 de maio de 2011


- Ai, como dói...
- O coração?
- Não, a bunda. Preciso sair do ócio antes que meus glúteos atrofiem também.
- Ora, como assim "também"...?
- É que o coração - esse sim - já atrofiou. Por isso não dói mais.
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13 de maio de 2011


Mamãe jamais quis me confessar
sempre se fez de desentendida, aquela esperta;
mas eu não posso ser enganada!
Eu sei muito bem que desse barro
muitos Barros se fizeram...
eu sei muito bem que o Manoel
é meu verdadeiro pai.
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7 de maio de 2011


Metapoesia
é o dadaísmo do ego:
arte por arte, sem ideologia
você elogiando
e eu
vazia.
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4 de maio de 2011


Tentei rimar bonito;
não deu.
A poesia, quando se pinta de vaidade,
fica coisada... Aliás, fica descoisada.
(Aprendi a coisar com as flores solares!)
Cacofonia é ponto de pauta
de assembléia parnasianista
Quem venera a métrica
perde o compasso
- perfeito espaço
                                      vazio
...caverna onde mora o eco.

Já aprendi a lição:
antes vagar na insensatez
da incompetência sincera
que vagar
no vago.
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