24 de abril de 2011


Curar a paixão é o primeiro passo para a construção do amor.
- E sim, eu sei que quase ninguém concordará ou entenderá o que tentei dizer.
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21 de abril de 2011


Gota em face de poeta escorre pra cima:
chovem insensatezes do caderno aberto...
se escorre pra baixo, é pra confessar:
gota salgada no canto da página é poesia contida.
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18 de abril de 2011


Teu francês me encheu o saco
sou muito mais meu português barato
repleto e nato em poesia vagabunda
tão mais apaixonada e viva
      que tua retórica acadêmica moribunda!

17 de abril de 2011


De dia eu sempre fora quem esperavam que eu fosse. Eu pagava contas. Eu produzia o que era pra ser produzido, fazia o que devia ser feito. Dizia o que era esperado. Era previsível, estável, quase responsável. Eu me atrasava às vezes, mas compensava o atraso com hora extra.
Era à noite que o mal se instalava. Após o jornal, pronta para, teoricamente, dormir, eu praticava meu pecadilho. Trancava-me em meu mundinho secreto e me punha a absorver. Desfiava as horas de temperatura amena da madrugada com leituras, filmes, reflexões, e todo o tipo de baboseira similar. Me deliciava ao descobrir um novo filme, blogueiro ou poeta. Me punha a escrever o que me desse na telha. E ria alto, por dentro, de todas aquelas imensas levesas, até que um galo distante denunciasse minha infração, ao me despertar do transe literário.
E eu corria pra cama, pra tentar aproveitar o restinho de horas pra fabricar um sono malcriado, à pulso. Demorava a dormir, sonhava com poesia, acordava de má vontade. E me atrasava.
Mas compensava o atraso com hora extra.

Me pergunta por que verbos no pretérito? Só pelo prazer de contar mais uma história, de romancear. Mas não, nada mudou. Nunca.
E se afirmo, no presente do indicativo, que desde sempre e para sempre troco o dia pela noite, não é caso d'eu não estar lá de dia; é que à noite sei ser mais minha.

À noite o silêncio me litera.



*Devo parte desse texto a Iana. Em diversos aspectos. Obrigada, coisinha. =)

15 de abril de 2011



I.
Metade da poesia é sentido secreto
que só o poeta sabe;
a outra metade é floreio indiscreto
pra você achar bonito.


II.
Cansaram-me todas,
toscas,
diversas, adversas,
oriundas e originárias
de sentidos quaisquer.
Bem-me-quer
mal-me-quer
tanto faz, ninguém a quer...
Minha poesia é pra mim mesma
e por mais belo que isso seja
meu ego fica puto!


III.
Tenho estado num misto (de)
intenso, (ex)tenso e lento
e meio dada a dada- e parnasian- ismos...
- Ah, ora bolas, se lhe agrada,
entupo-lhe as vias com dois litros de mesóclises!
Julgar-me-há? Com ou sem "h"?
Mas, desde já, me perdoo...
meu coração é grande.
E minha cabeça também;
porém
vazia.
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14 de abril de 2011


Esse papel de led e pixels
que resume minha poesia a bits
não rasura
nem amassa...
Mas se der vírus, meu bem,
o que não foi lido,
ainda que lindo,
passa!
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4 de abril de 2011


- De todos os saberes do mundo,
qual deles saberei eu?
- Ora, e como eu haveria de saber?
Só sei dos meus não-saberes.
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"Eis o meu segredo, é muito simples: só se vê bem com o coração; o essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdertes com tua rosa que a fez tão importante... Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Exupéry

3 de abril de 2011


-Quantos vai querer?
-Dá-me dois meios.
-Mas não dará na mesma um inteiro?
-Olha que não. A vida tem me ensinado que tudo está sempre aos pedaços; no máximo, em metades...
-Procura então a segunda metade de quê?
-Até saberia lhe dizer... se já tivesse encontrado a primeira.
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