15 de janeiro de 2011

Às vezes tenho uma intensa vontade de abraçar alguém... Mas não posso. É uma vontade pura e simples, desprovida de jogos, apenas movida pelo anseio da troca energética; e não é possível, pois 99% das pessoas interpretam um gesto que envolva um toque de corpos como uma ação que carrega em si uma sugestão de algo que esteja além daquele primeiro ato.
Um abraço inocente. Aconchegante, quente, macio. Sem pegadas estratégicas pela cintura ou roçadas sutis e sugestivas. Um envolver de braços afetuoso. Sem cantadas de pé-de-ouvido e cafungadas no pescoço. Um gesto de carinho, e não um pedido de carícias.
Não temos essa capacidade tão singela de sermos livres de subjetividade. Temos mania de complexidade. Tudo é baseado em jogos, códigos. E se você se apropria de um código sem modificar a legenda, entra na dança sem saber. Ninguém está isento dessas teias.
Não estou criticando o sexo, tampouco as delícias de tais jogos de sedução. Eles são, idubitavelmente, fantásticos. Mas... porra.
Queria ter a opção de pelo menos exercer minha afetusidade desinteressadamente, sem ter que temer às interpretações alheias e consequentes desencadeamentos de problemas de toda natureza. Queria um abraço. Longo; apertado. Só isso. E nada, nada mais.

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