7 de janeiro de 2011


Sei que há meses abandonei o blog, e sei o quanto isso demonstra minha falta de compromisso comigo mesma. Sei também o quanto é estranho o sumiço de diversos posts "cômicos" que haviam aqui antes - sim, deletei-os. Mas tive lá meus motivos, concretos e/ou subjetivos, válidos ou descarados, para fazê-lo.
Voltando à rede, olho hoje os pedaços produzidos até aqui e me sinto envergonhada. O fato é que todo esse teatro de humores exibicionistas acerca de fofocas e agulhadas quentes não é meu ‘eu’ em legítimo. Eu poderia, inclusive, culpar às novas configurações sociais nas quais tenho vivido desde que entrei para a faculdade, ou à distância daqueles com os quais um dia realmente pude me sentir produtiva. Mas não culpo. Não posso me isentar de culpa colocando-a em outro organismo ou fato.
Talvez eu tenha, na verdade, sucumbido à minha própria insatisfação; ou talvez às confusões mentais às quais me vi submetida de repente. Camaleoa como sou, achei que me adequar seria conveniente, que partilhar do comum fosse me trazer satisfação. Fugi do que eu era realmente por temer que minha “nova rede” social fosse me menosprezar. Fui covarde e conveniente. E, para completar, agora estou sendo melodramática e chata.
Mas enfim.
De uns tempos pra cá, cansada de ter piadas prontas acerca das mesmas merdas, fui deixando pra lá essa mania de tentar ser blogueira, achando que já estava velha para tal, e que já estava na hora de me dedicar à vida acadêmica. Bobagem. Continuei suspirando pelos literatos que, ao contrário de mim, não abandonaram seus prazeres verdadeiros. E aos poucos, não sei por que motivo, fui redescobrindo aquele mundo esquecido dentro do qual, ainda que leigamente, sempre me senti tão bem.
Mas o estopim de toda essa revolta (re-volta?) foi descobrir, com agradável surpresa, uma poetisa que é hoje tão jovem quanto fui um dia. Não de idade; de espírito. Bebi das letras de seus posts vorazmente, enquanto patronos adormecidos revisitavam-me saudosamente a memória e o coração. E rindo das minhas recentes e singelas descobertas, fui me redescobrindo, ainda incompetente, mas, também, ainda apaixonada pela poesia e pela verdadeira literatura.
Percebi também que não devo adequar-me aos padrões dessa minha profissão que de boa fama nada tem – e veja que dessa mesma ela se apropria. Resolvi que não venderei meus princípios pelo preço de uma boa fofoca, que nada terá, jamais, a acrescentar à vida de qualquer indivíduo. E mais: decidi que de agora em diante serei desmedidamente o que realmente sou, ainda que não encante à massa consumidora de revistas de celebridades; sou das minorias. Sou dos baianos, dos homossexuais, dos naturebas, dos nerds, dos poetas. Chega de poses e câmeras teleobjetivas; sou de papel e lápis. Outra vez.
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