26 de janeiro de 2011


Tocar sem poder pegar
Roçar sem poder bulir
Sentir o cheiro e não poder cafungar
Encostar e não poder mexer - e remexer
Ver aquela pele macia (uma pequena parte desnuda do corpo,
nuca, pescoço, ombros)
e não poder beijar
Observar e não poder de fato olhar
Estar ali, colado, grudado, quase apertado
aprisionado no desejo proporcionado pelo maldito calor humano
esse calor gostoso, cheiroso, tátil
e não poder nem agarrar.
E sofrer, por toda a eternidade de um percurso,
o castigo do limite que determina o que pode e o que não pode
num delicado momento como esse.

Ela, popozuda, prestando atenção à arquitetura lá fora.
Ele, teso, duro (duro!), suando frio, suando quente, nuca molhada, garganta seca, os olhos fixos naquela buzanfa filha da mãe.
Ela, de costas, alheia a todo aquele turbilhão de pensamentos e sensações.
Ele, a dois centímetros de seu objeto de desejo, salivando, resistindo, inerte.

Bem vindo ao transporte coletivo!
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