29 de agosto de 2010

Bons leitores têm aquele velho hábito bobo de selecionar trechos de livros que lhes aprazem, emocionam, surpreendem, causam identificação ou simpatia... Enfim; clichê ou não, carimbo aqui um pedacinho delicioso de um romance que estou lendo e adorando, e cujo autor me cativou para toda a eternidade. Trata-se do livro "Memórias de minhas putas tristes", do Gabriel García Márquez.


"...Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma, e sim um signo do zodíaco". 
 

Copyright 2010 Verbo Intransigente.

Theme by WordpressCenter.com.
Blogger Template by Beta Templates.